terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Em lume brando



Em lume brando
Qual fogo que perdura
Sem fim à vista, lento,
Sem vontade de se esgotar
De recusar o fim anunciado
Sobrevivendo à certeza do destino
à cinza onde tudo acaba

Reencontra-se
Eleva-se ondulante em
chamas coloridas
Esmorece, renasce,
retoma o vigor

Alimenta-se da certeza
da sua utilidade
Da necessidade de viver
mantendo a lembrança

Une, vence a distância 
o tempo, a ausência
É vida!

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Difuso


És o sonho,
apenas parte dele
ou é ele que só existe por ti?

Não sei se me inquiete
Porque nele entras sem pedir
O usas, distorces, usufruis
dispões, manipulas

Não sei se me inquiete
porque dele tomaste conta
se me convença que é a ti
que ele deve a existência

Tu, o sonho, uma extensão de nós

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Subimos?


À sombra da figueira também havia vida
Desfiavam-se momentos que foram tempo
Bebia-se em pequenos goles,
na soleira da juventude
vinho novo, ainda com travo a rosmaninho
Faltava porventura subir alguns degraus
O sol nem se havia ainda escondido
Ao largo o som dos grilos e estorninhos
Marcava o horizonte e os destinos
Valeria a pena esgotar as forças,
fazer um intervalo, suspender o paraíso?
Não, seguimos a conversa
que importa quão íngreme é a escada
se de mãos dadas a havemos de percorrer?

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Huummm!


Huummm!
Leve, leve
Penas que esvoaçam sem pena do que foi
Pena do que teria sido
E não foi
Livres, ondulam a visão
Aceleram o ritmo da rotina
Insinuam a vertigem
Elevam às nuvens a sensação
De que não teria sido o que

Afinal foi!

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Intemporal


Felizmente não somos senhores do tempo. Os dias esgotam-se na ilusão da intemporalidade, correm que nem loucos, perdidos nesse desfiladeiro enganador. Vivemos o que podemos, e um dia, morreremos como os demais.
O que se assemelha a uma sina é talvez o mote da existência: produzir, criar, amar e viver, pois certa, certa, só temos a vida.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

segunda-feira, 24 de abril de 2017

De volta





Se os olhos contassem a tua história
Não traíssem como o fazem sem querer
Lembrassem tempos em que foste liberdade
Soubessem de que cor é a vontade

Interpretassem o murmúrio do desejo,
o que dizem lábios finos a tremer
Decifrassem o rubor do amor ardente
Mostrassem como é a dor da ausência
reflexo e espelho da saudade
Mentissem num não que era sim

Tudo isso é o poder da Esperança
Soberania em duas esferas compactada
O supremo sentido do sentir
a mais pura face da verdade

Ecrã onde a alma é projetada

quarta-feira, 15 de março de 2017

Nasces


És fluido, sequência dos momentos
Som da água que anuncia
o fim do estio
Silêncio de todos os momentos
em que a palavra era excesso

Início de todo o infinito
Destino para onde tende o horizonte
És linha do tempo
Calor de um suspiro

Curva do sorriso
Cofre onde repousam as lembranças


Fazes-me nascer a Primavera

domingo, 12 de fevereiro de 2017

No som do vento



Do vento que o frio trazia
nada esperava
Apenas um clima que era o meu
no meio da geada onde crescemos

Era um gesto, o gozo, a harmonia
ou
A ternura, a lembrança, a anarquia

No meio das mãos em concha
a ilusão
no som do sorriso
a emoção
Por trás dos silvos das serras
a lembrança
Toda a que o infinito não apaga
Perene, persiste inabalável
Sabe-se, não se prescreve,

Intimidade não é palavra vã